As casas de apostas brasileiras, atualmente, passaram a exigir o reconhecimento facial no momento do cadastro e até no saque dos apostadores. Há poucos anos, essa prática estava longe de existir no mercado, e hoje, acaba sendo algo que levanta muitas dúvidas para quem entra num site de apostas. Afinal, por que as bets colocam esse processo como uma das partes fundamentais na verificação de identidade? Será que isso é 100% seguro para todos?
É uma exigência oficial desde a regulamentação
É claro que todas as plataformas sabem que muitos jogadores acabam se incomodando ou pelo menos atrasando seus cadastros quando veem a necessidade de fazer o reconhecimento facial. E a preocupação com os próprios dados é totalmente legítima, mas a escolha por usar essa tecnologia não é exatamente dos operadores – qualquer casa de apostas legalizada no Brasil deve, segundo a própria lei, utilizar o Facial Recognition/ Face ID (reconhecimento facial) para identificar cada usuário.
Essa exigência já vem dentro da Lei 14.790/2023, que oficialmente regulamentou as apostas no Brasil. Como já fica implícito, essa é uma forma de identificar, reconhecer e garantir que a identidade de quem está apostando é realmente a de cada indivíduo, que também deve inserir seu CPF no momento do registro. Mas como esse rastreamento é aproveitado?
Criando uma “biometria facial”
O reconhecimento facial funciona como uma criação de uma “biometria facial”. Antes de tudo, ele detecta que existe um rosto na imagem transmitida. Depois, com tecnologia de inteligência artificial e deep learning, analisa esse rosto, suas medidas padrões e cria uma espécie de modelo digital do apostador.
Além disso, ele também serve para fazer a prova de liveness (prova de vida), que serve para identificar se o rosto que aparece na câmera é de alguém real e vivo. Então, ações como piscar, mexer o rosto e sorrir podem ser solicitadas. Mas detecções subjetivas também são feitas enquanto isso.
Como a tecnologia se complementa a outras verificações de identidade
É claro que o reconhecimento facial não age sozinho. Os dados obtidos durante o procedimento são cruzados com outras formas de verificação, que incluem acesso a dados públicos e privados de cada pessoa/CPF registrado. Além disso, o envio de documentos e confirmação de telefone ou e-mail também são medidas estratégicas e bem úteis – mas há um tipo de garantia de segurança que só vem pelo reconhecimento facial.
Isso é, a verdade é que conseguir ultrapassar outros métodos de segurança é bem mais fácil. Acessar documentos de outras pessoas é uma medida bem mais fácil que conseguir reproduzir em vídeo o rosto dessa pessoa e seguir os comandos do operador, por exemplo. Mas por que as casas de apostas precisam desse nível de segurança tão alto, que chega a níveis bancários?
O contexto por trás de tudo: um mercado de apostas em transição
A regulamentação de apostas no Brasil foi e continua sendo um grande desafio. Num país de dimensões continentais como esse, esse processo não é nada fácil. E para completar, o grande boom das apostas no país aconteceu bem antes dessa regulamentação, criando um mercado super inflado e, ao mesmo tempo, pouco organizado.
Sendo assim, com a regulamentação, as exigências para garantir operações realmente seguras, em todos os sentidos, vieram de todos os lados. Além dessa verificação de identidade que chega a ser mais rígida que em países de referência na regulamentação de apostas, outras partes também foram bem restringidas:
- Exigências diferentes para a publicidade – é exigido um tom de voz moderado e fazer propaganda não é mais como antes da lei.
- Empresas precisam ter sede no Brasil – e isso impacta até mesmo os mercados secundários – isso traz outras exigências, como uma maior carga tributária.
- A licença brasileira – agora as casas de apostas operam sob a licença brasileira. Então, os jogos, odds e todo o sistema são fiscalizados e auditados conforme o que o Ministério da Fazenda determinar.
Quais tipos de proteção o reconhecimento facial ajuda a garantir
O reconhecimento facial serve para certificar de que “você é você”. Embora isso seja óbvio, é por aí que dá para entender como ele ajuda a garantir a segurança em diferentes eixos. Veja abaixo.
| Lei / Problema | Descrição |
| Acesso por menores de idade | Logicamente, o reconhecimento facial ajuda a garantir que nenhum menor de idade acesse o site de apostas, já que isso é proibido no Brasil |
| Compartilhamento de conta | Também é proibido entrar na conta de um amigo, ou deixar que alguém utilize sua conta. A tecnologia também ajuda a coibir isso. |
| Criação de múltiplas contas ou abuso de bônus | Muitos apostadores tentam criar contas múltiplas para aproveitar vantagens como usar bônus mais de uma vez. Com uma só conta por face reconhecida, coibir isso fica bem mais fácil |
| Proteção da conta do jogador | A invasão por terceiros também é um risco real. Com o reconhecimento, a casa de apostas te ajuda a se proteger quando você solicita processos mais delicados, como saques de altos valores ou mesmo a recuperação de conta |
| Complemento diante de outras detecções | Logins suspeitos, tráfego estranho e outras detecções constantes do algoritmo da plataforma levantam suspeitas de que sua conta possa estar sendo invadida. O reconhecimento ajuda a finalizar essa checagem |
Outros métodos também são válidos: será que o reconhecimento é essencial?
Com o avanço dos algoritmos e do monitoramento das casas de apostas, outros métodos também são incluídos nessas medidas de proteção. Alguns exemplos são perguntas ou informações baseadas em conhecimentos pessoais – como nome de familiar, de pet, ou mesmo de endereços anteriores.
Além disso, instrumentos para identificar sinais dos próprios dispositivos utilizados, incluindo padrões de apostas e uso de cada jogador, também podem ser parte dos procedimentos.
Mas, considerando que apostas são um momento de relaxamento e entretenimento, será que é sempre intuitivo e conveniente exigir o reconhecimento facial? Isso é algo que deve fazer parte do diálogo entre as casas de apostas, o Ministério da Fazenda e outras instituições envolvidas no mercado.
Reconhecimento facial: uma medida permanente?
O reconhecimento facial é uma medida que ajuda a garantir a proteção de identidade do usuário: fato. Não por acaso, ele é utilizado justamente em contextos que exigem um alto nível de segurança, como em bancos. E claro, no mercado brasileiro de apostas, que viveu vários problemas antes de ser regulamentado, optar por essa medida faz bastante sentido.
Mas, por outro lado, para muitos apostadores, gastar um tempo considerável fazendo essa verificação pode ser um pouco incômodo. Então surge a pergunta: será que essa pode ser uma medida temporária, ou ela será permanente no mercado brasileiro?









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